CINEMA
"Me afetou pessoalmente"
Atriz diz sofrer pelo fora que Bella leva do vampiro Edward no filme "Lua Nova", que estreia no dia 20
CHICO FELITTIDA
REPORTAGEM LOCAL
Kristen Stewart tem pressa. Aos 19, a atriz usa três relógios de pulso e parece ansiosa.Na entrevista para a Folha, num hotel de SP, cutucava sem parar o joelho direito, gaguejava e meneava a cabeça.
Talvez fosse estresse. Kristen teve passagem relâmpago de um dia pelo Brasil, ao lado do ator Taylor Lautner, para divulgar "Lua Nova", segundo longa da série Crepúsculo, com estreia mundial no dia 20.
Robert Pattinson não veio. É que, no filme, seu vampiro Edward termina o namoro com Bella para depois desaparecer.
No Brasil, Kristen e Taylor também sumiram no rasante: em 30 horas aqui, só saíram para uma churrascaria.
Na sala VIP do restaurante, encararam rodízio. Bife "ancho" (5 cm de altura), picanha (sanguinolenta?) e guarnições custaram R$ 84 por cabeça.
O jantar durou duas horas, até que foram reconhecidos por uma tiete e saíram fugidos. Como fugiram também da legião de fãs -alguns pagaram R$ 430 para ficar no mesmo hotel cinco estrelas que eles.
FOLHA - Filmar "Crepúsculo" foi mais divertido do que "Lua Nova"?
KRISTEN STEWART - Nããão... Foi diferente. Ambos são muito diferentes. O primeiro foi mais difícil porque tínhamos de trabalhar mais para conseguir o que queríamos, porque não tínhamos tempo suficiente. No primeiro filme, interpreto uma garota bastante simples, que não é introvertida, mas não se interessa por muita coisa, está entediada com a vida. Ela cai de cara no mundo mais insano possível. No segundo filme, ela está se esfarelando. Foi muito difícil emocionalmente.
FOLHA - A cena da despedida entre Edward e Bella lhe desgastou pessoalmente?
KRISTEN - Sim. O problema do término é que há uma só cena em que ele diz "ok, estou lhe abandonando", mas a separação tem um curso de duas semanas no decorrer do filme. A Bella sabe muito antes que as coisas vão mal. Algo está muito ruim e ninguém fala nada. A cena do término é muito difícil, mas é o que vem depois que complica mais. Quando ele termina com ela, é como se dissesse, de repente: [quase se levanta da cadeira e fala alto] "Estamos na Lua. Estamos na Lua e, desculpa, não há nada que você possa fazer a respeito".
FOLHA - Você levou a tristeza do filme pessoalmente?
KRISTEN - Eu... Eu... Pessoalmente, pessoalmente, não. O Edward não terminou comigo. Quer dizer, terminou. Como atriz, você sabe que há emoções distintas que precisa alcançar, por causa da intensidade das emoções do livro... Afetou pessoalmente... Não pessoalmente, mas emocionalmente porque eu não consigo fazer nada sem acreditar. Eu estava com o coração partido pela Bella. Você não pode fazer um filme se não for louco. Atores são meio loucos.
FOLHA - Você é meio louca?
KRISTEN - Antes de entrar no set, eu pirei. No momento em que vi o Robert [Pattinson] na floresta, comecei a chorar, então é claro que me afetou pessoalmente. Mas não na minha vida de verdade.
FOLHA - Você usa três relógios?
KRISTEN - São todos armaduras. Este é da minha avó [no braço direito], este é do meu pai e o terceiro foi a Joan Jett [roqueira americana que ela interpreta no filme "The Runaways", que estreia em 2010] que me deu.
FOLHA - Se fosse vampira, quem morderia?
KRISTEN - Meu gato. Ele ficaria no meu colo eternamente.
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John, Paul, George e Jacky
Já comeu gafanhoto? E lula "podre", ova defumada de tainha, fígado de peixe-sapo? Já provei e garanto: ótimos.
Conheci tudo isso graças a uma grande figura, o Jacky, chefe do balcão do Azumi, um restaurante totalmente improvável porque: 1) é 100% caseiro e tradicional japonês, mas fica no Rio; 2) fica em Copacabana, entre centenas de armadilhas para turistas.
Falo do Jacky por uma razão musical. É que ele não se chamava Jacky, ganhou o apelido por causa dos Beatles. Naquele português louco dele, misturado com japonês, entonação do interior de São Paulo e gírias cariocas, Jacky me explicou que na adolescência em Mogi das Cruzes (SP) tinha uma banda cover de Beatles.
Na época, a moda entre os jovens orientais era usar nomes que lembrassem só levemente o grupo original. Em vez de John, Paul, George e Ringo, os covers nipo-brasileiros seriam, por exemplo, Steve, Charles, Johnny e Jacky.
Há três domingos, depois de um dia especialmente duro no trabalho, fui jantar no Azumi. Cheguei sozinho, como quase sempre. E, como quase sempre, o restaurante estava fechando. Mas o Jacky me recebeu de braços abertos. Contou que no dia seguinte iria ao sítio em Itaboraí (RJ) limpar a caixa d'água. Uma moça sentada do outro lado do balcão pediu que ele tomasse muito cuidado. Lembrou que Jacky tinha caído meses antes ali mesmo no Azumi, quebrando costelas. Eu também disse para ele se cuidar.
Nesta semana, recebi a notícia: Jacky morreu. Foi mesmo ao sítio, limpou mesmo a caixa d'água. Caiu. Passou uma semana na UTI dos Hospital de Clínicas de Niterói, com múltiplas fraturas. Morreu de embolia pulmonar. Tinha 58 anos.
Na capa do livro de condolências, descobri que Jacky se chamava Toshihiko. Toshihiko Ueda, Jacky por causa do rock and roll.
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